Fatima Dannemann
Quando a madrugada cai
E o novo amanhecer se avizinha
Eu penso frescuras.
Ouço a musica de Pinóquio
Imaginando: a terra é azul
Porque o céu é azul, o mar é azul
E quando vejo fotos de montanhas
Até a neve parece meio azulada.
E eu visualizo a Fada Azul
Castigando meninhos mentirosos
Deixando seus bonecos de plástico
Continuar sendo bonecos de plástico
Porque certas alquimias...
Ah, as alquimias
Eu sonho transformar meus sonhos em ouro
Ouro como raios de sol de verão
E sonho com o brilho da manhã
E vejo a chuva
Ouvindo o vento soprando entre a persiana.
É apenas madrugada.
Manhã ainda distante
Como o mais aberrante
De todos os sonhos
E a vida é assim: azul como o planeta
E eu vejo a vida azul
Porque é a cor do meu jeans
E ouço um rock enquanto tomo um conhaque.
O vento lá fora me lembra o frio
E é apenas verão.
Mas quem para quem viu neve em Veneza,
Tudo é possível
Até os sonhos mais distantes,
Longínquos como montanhas que subo de carro
Ou teleférico para abrir a boca
Lá do alto enquanto eu digo
A vida é azul,
Azul como a terra
Ou o branco azulado da neve das montanhas...
E eu me dou ao luxo de pensar frescuras
Durante a madrugada.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Solitaria Flor
Fatima Dannemann
Cresce
uma flor solitária,
absolutamente única,
sózinha
num jardim esquálido
e sem vida...
Teima
a solitária flor
em abrir suas pétalas
e espalhar a cor
do mais vivo colorido
no jardim de tons esmaecidos.
Cresce numa cerca
tosca
floresce em uma moita
semi-morta.
Mas vive,
ainda que sozinha
num jardim maltratado
e esquecido.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
EXPOSIÇÃO DE PINTURA
EXPOSIÇÃO DE PINTURA
Fatima Dannemann
Faces
Difusos rostos
Perfis marcados
por sonhos marcantes
Corpos
Imersos em imagens
Banhado em luz
Ouro e prata
Figuras
demarcadas em molduras
Imagens oníricas
prateada em sonhos
Fábulas pictóricas
que atravessam eras
em paredes de museu.
Mitos.
Existência
Fatima Dannemann
Existência...
Gloriosa ou melancólica,
sombria ou alegre,
tensa ou apenas uma sucessão de dias...
Uma explosão de momentos,
uma confusão de sentimentos,
a eterna alternância entre noite e dia
e fases da lua,
a constante mudança do clima,
as estações se sucedendo,
a primavera que expulsa o frio do inverno
e o outono sucedendo ao verão
e desnudando os jardins...
Existência... Existir...
Estar presente sem estar presente,
ausentar-se em meio a multidão,
ficar em si mesmo, pensar...
Não... Existir não é a vida...
A vida é eterna,
é apenas a existencia que cessa,
mas uma existencia se fará
sentir por marcas.
Uma presença muda,
uma voz soando num disco velho de vinil,
ou um velho filme em preto e branco.
Certezas, incertezas, duvidas...
Existencias,
que se ha de viver ou de sentir...
(em memória do Renato Russo)
Existência...
Gloriosa ou melancólica,
sombria ou alegre,
tensa ou apenas uma sucessão de dias...
Uma explosão de momentos,
uma confusão de sentimentos,
a eterna alternância entre noite e dia
e fases da lua,
a constante mudança do clima,
as estações se sucedendo,
a primavera que expulsa o frio do inverno
e o outono sucedendo ao verão
e desnudando os jardins...
Existência... Existir...
Estar presente sem estar presente,
ausentar-se em meio a multidão,
ficar em si mesmo, pensar...
Não... Existir não é a vida...
A vida é eterna,
é apenas a existencia que cessa,
mas uma existencia se fará
sentir por marcas.
Uma presença muda,
uma voz soando num disco velho de vinil,
ou um velho filme em preto e branco.
Certezas, incertezas, duvidas...
Existencias,
que se ha de viver ou de sentir...
(em memória do Renato Russo)
domingo, 23 de outubro de 2011
Caindo no mundo
Fatima Dannemann©
Não
Não me espere para jantar
Também não me espere
para ver novela,
noticiário, reality show
ou mesmo o corujão da madrugada
na tevê.
Vou sair pelo mundo.
Vou cair na farra.
Talvez volte tarde.
Ou, eu talvez nem volte.
Ou então, volte mais cedo
com a cara lavada,
e a alma partida de desilusão.
Em qualquer caso,
não faça perguntas.
Faça apenas de conta
que nada aconteceu.
Mas...
Não, não me espere para jantar.
Mesmo que nada aconteça,
acho que vou aproveitar
e vou ao cinema.
Não
Não me espere para jantar
Também não me espere
para ver novela,
noticiário, reality show
ou mesmo o corujão da madrugada
na tevê.
Vou sair pelo mundo.
Vou cair na farra.
Talvez volte tarde.
Ou, eu talvez nem volte.
Ou então, volte mais cedo
com a cara lavada,
e a alma partida de desilusão.
Em qualquer caso,
não faça perguntas.
Faça apenas de conta
que nada aconteceu.
Mas...
Não, não me espere para jantar.
Mesmo que nada aconteça,
acho que vou aproveitar
e vou ao cinema.
Doces memórias
Fatima Dannemann
Saudade
(bem faz o zen, fica aqui e agora
não pensa no passado
despreza o futuro
e não sofre por aguas que se foram)...
Saudade
e eu lembro de um velho desenho animado
e sou criança
me lambuzo de sorvete de flocos
e ando pela praia pensando em castelos de areia
e sou adolescente
ouvindo meus primeiros rock and roll...
Saudade
um filme gasto que não rebubina
fotos que ficam desfocadas
e eu penso: pra que querer ter 16
se depois disso vivi mais tanto
e mais intensamente
que todos os aqui e agora
de todos os monges zen
de todo o mundo
serão apenas lapsos,
fragmentos de tempos...
Saudade...
(ser zen porem nem tanto, claro...
afinal, lembrar pode ser bom,
mas isto é aqui entre nós,
eu e minhas lembranças).
Saudade...
Doces lembranças.
Coisas que ficam porque precisam
porque o que é desnecessário
o esquecimento descarta...
( E eu penso:
pobres zen... será que eles
sabem o que é lembrar
o que foi bom?)
sábado, 10 de setembro de 2011
Pontos Cardeais
Fatima Dannemann
O vento sopra do norte
e me traz notícias de alguem.
O vento sopra do leste
e me adverte sobre tempestades.
O vento sopra do sul
e me chega impregnado de saudade.
O vento sopra do oeste
e vem me contando as novidades.
O vento sopra do norte
e me traz notícias de alguem.
O vento sopra do leste
e me adverte sobre tempestades.
O vento sopra do sul
e me chega impregnado de saudade.
O vento sopra do oeste
e vem me contando as novidades.
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