quarta-feira, 28 de abril de 2010

Anjo sem asas


by Fatima Dannemann

Sonhei com um anjo...
Um anjo sem asas,
um anjo sem céu...
Mas era um anjo e flutuava
em meus pensamentos
como se quisesse dominar
a minha mente
e perambulava no coração
como se dominasse a minha alma...
E eu pedia: "voa, anjo".
Resistia.
Mas o anjo teimava e teimava e teimava...
Olhava seu rosto difuso,
seu corpo sem asas
e ele sorria e me olhava,
como se me hipnotizasse...
E eu falava, e ele parecia não ouvir.
Me dominava
mas parecia ser auto-suficiente
como parecem ser todos os anjos...
E me deixei levar pelo anjo,
um anjo sem asas.
Mas os sonhos não duram...
E quando, justamente quando,
cedia a seus encantos...
Acordei...

banho de letras

Fatima Dannemann

Banho
a minha alma
em letras
Brinco
com a espuma
das sílabas
Faço bolhas
com as palavras
enquanto
frases flutuam
exalando poemas

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Reflexão sobre alguns momentos

Terei eternamente o fogo da juventude
em mim pois isto significa o fogo da própria vida.
Sou poderosa e plena porque tenho uma história.
Tive erros, acertos, alegrias, decepções,
poderia escrever uma novela sobre mim mesma
e teria o que contar.
Mas, isto não traria de volta os momentos vividos.
E por mais que eu até sinta saudades
de alguma coisa, prefiro o hoje.
Este é meu real.
Não importa quantos anos tenha,
não importa quantos anos ainda me esperem no futuro.
Estou aqui, agora,
sou eu vivendo a vida
sem medo dos rótulos
que acompanham a velhice.
O fogo da vida arde em mim.
E é tudo o que importa.

(Fatima Dannemann)

domingo, 7 de março de 2010

Quem fica parado é poste

Fatima Dannemann

O calor torra lá fora...
ponho um boné
e vou a praia
me queimo mas preservo
o tico e o teco
e alguem passa correndo.
Um desses atletas domingueiros
e eu penso:
quem fica parado é poste...
E vou ao cinema
tomo um sorvete
mordisco pipocas,
guaraná gelando...
E nem os postes estão parados
Torra o calor
a água seca e o rio corre para o mar
num eterno movimento.
E a vida é assim...
Cinco dias para pensar,
dois dias para viver
e uma corrida na areia que me lembra:
que é preciso correr atrás dos sonhos
pois quem fica parado é poste...

Reflexo

Fatima Dannemann©

Se olho para o mundo
e me sinto feliz,
é porque vejo
como a natureza
e as coisas que me rodeiam
podem ser descomplicadas.
Apesar de complexas.

O poeta e a musa

Fatima Dannemann

O poeta canta sua musa
como se buscasse
um sonho
Para o poeta,
a musa
é um ideal
de ser humano
inalcansável.
O poeta considera
sua musa
um ser de sonho.
E se desperta
do clima onírico,
rompe-se a miragem,
dissolvem-se os versos,
acaba o encanto.

domingo, 13 de setembro de 2009

Fim de festa

Fatima Dannemann

A fonte secou
O dia nublou
o vento parou
E como num passe
nem tão mágico
tudo ficou mudo
nem um som.
Calou-se a voz que dizia poesias
calou-se a garganta que cantava
a fonte secou...

e por ai, mais adiante,
outros brados de outros bardos
poesia? nem tanto...
calou-se a voz
secou-se a fonte
e o vento jogou as folhas longe