Fatima Dannemann
Desenho uma lua cheia
Numa meia lua
Traço uma reta
e meu desenho
é um arco e flecha.
Um telhado de uma casa
vira a seta do cupido
acertando um coração
que vou riscando
ao traças linhas tortas
Saio rabiscando
e crio um caracol
no que era para ser
uma espiral de caderno.
Minha página
está toda rabiscada
e colorida.
Lua
coração
seta de cupido
caracol
espirais...
Linhas tortas
onde deveria haver
a simetria das retas
e a harmonia das formas
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
PEDAÇOS DE LETRA
Fatima Dannemann
Contemplo a noite
sem estrelas
a procura de versos
Encontro sombras
que escrevem
palavras partidas
e chamam de poesia
E quando pedaços de letra
precisarei escrever
até formar frases completas
que traduzam o que sinto?
Não sou poeta, nem deusa
apenas andarilha
pela vida
no claro e no escuro
entre nuvens e sol
entre lua e estrela.
Na esquina mais próxima
uma falsa boneca vestida de careta
se transforma em fantasma
mas não me assombra.
E ela parte frases
dizendo que são versos
e ela escreve coisas sem sentido
e diz que são rabiscos
outros lhe chamam de poeta.
E eu cato verbos.
Coisas aqui e ali.
Junto as palavras
num quebra-cabeça de emoções
e não traduzo o que sinto.
Choro
e quando choro são lágrimas perdidas
que escorrem furtivas
e ninguem nem vê.
A fantasma dos cabelos de milho
ri da minha cara se sentindo vitoriosa,
mas eu não jogo nenhum jogo.
Não sou poeta - eu grito.
Não escrevo quebrado - explico.
Apenas junto palavras
frases aqui, ali...
pedaços de letra...
e quanto terei que escrever
até ouvirem o meu grito?
Contemplo a noite
sem estrelas
a procura de versos
Encontro sombras
que escrevem
palavras partidas
e chamam de poesia
E quando pedaços de letra
precisarei escrever
até formar frases completas
que traduzam o que sinto?
Não sou poeta, nem deusa
apenas andarilha
pela vida
no claro e no escuro
entre nuvens e sol
entre lua e estrela.
Na esquina mais próxima
uma falsa boneca vestida de careta
se transforma em fantasma
mas não me assombra.
E ela parte frases
dizendo que são versos
e ela escreve coisas sem sentido
e diz que são rabiscos
outros lhe chamam de poeta.
E eu cato verbos.
Coisas aqui e ali.
Junto as palavras
num quebra-cabeça de emoções
e não traduzo o que sinto.
Choro
e quando choro são lágrimas perdidas
que escorrem furtivas
e ninguem nem vê.
A fantasma dos cabelos de milho
ri da minha cara se sentindo vitoriosa,
mas eu não jogo nenhum jogo.
Não sou poeta - eu grito.
Não escrevo quebrado - explico.
Apenas junto palavras
frases aqui, ali...
pedaços de letra...
e quanto terei que escrever
até ouvirem o meu grito?
Oração a Mãe Terra
Fatima Dannemann
Salve, mãe terra,
cheia de graça,
esplendorosa seja vossa beleza,
abençoado seja vosso solo
assim no universo
como no paraíso.
Perdoais vossos filhos desregrados
que dizimam vossas flores e frutos,
que ameaçam vossos animais,
que arruinam vossas riquezas
e nossos alimentos.
Abençoais aos que zelam por vós,
e segui em vossa dança no universo,
agora e sempre,
eternamente.
Salve, mãe terra,
cheia de graça,
esplendorosa seja vossa beleza,
abençoado seja vosso solo
assim no universo
como no paraíso.
Perdoais vossos filhos desregrados
que dizimam vossas flores e frutos,
que ameaçam vossos animais,
que arruinam vossas riquezas
e nossos alimentos.
Abençoais aos que zelam por vós,
e segui em vossa dança no universo,
agora e sempre,
eternamente.
Vista a camisa da Cultura de Paz.
Substitua Guevara por Gandhi.
e aprenda a querer bem, a mudar, sem ter de matar ou morrer.
(monja Coen, missionaria da religião Soto-Zen)
Substitua Guevara por Gandhi.
e aprenda a querer bem, a mudar, sem ter de matar ou morrer.
(monja Coen, missionaria da religião Soto-Zen)
segunda-feira, 17 de maio de 2010
DEZEMBRO/DESPEDIDAS
Fatima Dannemann
Dezembro triste
idas que não tem retorno
caixões e velas
choro, soluços...
E o corpo do meu pai inerte
perto da árvore de natal
presentes amarelando
na festa que não houve
dias que anoiteceram
em pleno meio dia
as ondas do mar rangendo forte...
Não houve tempo para despedidas
Não deu tempo para uma nota de pesar.
E o corpo de meu pai inerte
jaz sob o mármore
há muitos dezembros.
Sem tempo para presentes...
Sem presença
sem nada
Fevereiro/2005
Música: O Mio Bambino Caro - Puccini
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Anjo sem asas

by Fatima Dannemann
Sonhei com um anjo...
Um anjo sem asas,
um anjo sem céu...
Mas era um anjo e flutuava
em meus pensamentos
como se quisesse dominar
a minha mente
e perambulava no coração
como se dominasse a minha alma...
E eu pedia: "voa, anjo".
Resistia.
Mas o anjo teimava e teimava e teimava...
Olhava seu rosto difuso,
seu corpo sem asas
e ele sorria e me olhava,
como se me hipnotizasse...
E eu falava, e ele parecia não ouvir.
Me dominava
mas parecia ser auto-suficiente
como parecem ser todos os anjos...
E me deixei levar pelo anjo,
um anjo sem asas.
Mas os sonhos não duram...
E quando, justamente quando,
cedia a seus encantos...
Acordei...
banho de letras
Fatima Dannemann
Banho
a minha alma
em letras
Brinco
com a espuma
das sílabas
Faço bolhas
com as palavras
enquanto
frases flutuam
exalando poemas
Banho
a minha alma
em letras
Brinco
com a espuma
das sílabas
Faço bolhas
com as palavras
enquanto
frases flutuam
exalando poemas
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Reflexão sobre alguns momentos
Terei eternamente o fogo da juventude
em mim pois isto significa o fogo da própria vida.
Sou poderosa e plena porque tenho uma história.
Tive erros, acertos, alegrias, decepções,
poderia escrever uma novela sobre mim mesma
e teria o que contar.
Mas, isto não traria de volta os momentos vividos.
E por mais que eu até sinta saudades
de alguma coisa, prefiro o hoje.
Este é meu real.
Não importa quantos anos tenha,
não importa quantos anos ainda me esperem no futuro.
Estou aqui, agora,
sou eu vivendo a vida
sem medo dos rótulos
que acompanham a velhice.
O fogo da vida arde em mim.
E é tudo o que importa.
(Fatima Dannemann)
em mim pois isto significa o fogo da própria vida.
Sou poderosa e plena porque tenho uma história.
Tive erros, acertos, alegrias, decepções,
poderia escrever uma novela sobre mim mesma
e teria o que contar.
Mas, isto não traria de volta os momentos vividos.
E por mais que eu até sinta saudades
de alguma coisa, prefiro o hoje.
Este é meu real.
Não importa quantos anos tenha,
não importa quantos anos ainda me esperem no futuro.
Estou aqui, agora,
sou eu vivendo a vida
sem medo dos rótulos
que acompanham a velhice.
O fogo da vida arde em mim.
E é tudo o que importa.
(Fatima Dannemann)
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